O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, nesta quarta-feira (2), um “tarifaço” global, elevando os impostos de importação nos Estados Unidos, incluindo 10% de alíquota para o Brasil. O ato de assinatura do decreto que institui o “tarifaço” reuniu autoridades e jornalistas no Rose Garden da Casa Branca.
“”Em alguns momentos, assinarei uma ordem executiva histórica instituindo tarifas recíprocas em países por todo o mundo. Recíprocas: isso significa que eles fazem isso conosco e nós fazemos isso com eles. Muito simples. Não tem como ser mais simples do que isso”, declarou o presidente Trump, aos jornalistas e autoridades presentes no ato.
“Vamos fazer nosso país rico novamente. Hoje é um dia histórico, é a nossa declaração de independência econômica “, afirmou.
Enquanto fazia seus comentários, Trump ergueu uma cópia de um relatório do governo intitulado “Barreiras ao Comércio Exterior”, estampado com o selo presidencial.
Trump também leu uma tabela de países e tarifas, na qual consta 10% de taxa para produtos brasileiros.
Além do Brasil, ele também deu exemplos das taxas que os EUA cobrarão de outros países, entre eles 34% para os produtos importados da China e 20% para a União Europeia.
Veja a relação completa das tarifas recíprocas divulgada pela Casa Branca:
– Brasil aplica 10%, vai receber em troca 10%
– China aplica 67%, vai receber em troca 34%
– União Europeia aplica 39%, vai receber em troca 20%
– Vietnã aplica 90%, vai receber em troca 46%
– Taiwan aplica 64%, vai receber em troca 32%
– Japão aplica 46%, vai receber em troca 24%
– Índia aplica 52%, vai receber em troca 26%
– Coreia do Sul aplica 50%, vai receber em troca 25%
– Tailândia aplica 72%, vai receber em troca 36%
– Suíça aplica 61%, vai receber em troca 31%
– Indonésia aplica 64%, vai receber em troca 32%
– Malásia aplica 47%, vai receber em troca 24%
– Cambodja aplica 97%, vai receber em troca 49%
– Reino Unido aplica 10%, vai receber em troca 10%
– África do Sul aplica 60%, vai receber em troca 30%
– Bangladesh aplica 74%, vai receber em troca 37%
– Singapura aplica 10%, vai receber em troca 10%
– Israel aplica 33%, vai receber em troca 17%
– Filipinas aplica 34%, vai receber em troca 17%
– Chile aplica 10%, vai receber em troca 10%
– Austrália aplica 10%, vai receber em troca 10%
– Paquistão aplica 58%, vai receber em troca 29%
– Turquia aplica 10%, vai receber em troca 10%
– Sri Lanka aplica 88%, vai receber em troca 44%
– Colômbia aplica 10%, vai receber em troca 10%
Tarifas recíprocas
Chamado de tarifaço, as tarifas recíprocas foram anunciadas logo após a posse de Trump, em 20 de janeiro.
Em fevereiro, Trump anunciou a cobrança de algumas tarifas, mas não especificou as alíquotas ou cálculos. Na última semana, ele afirmou que incluiria todos os países nas tarifas e que estaria aberto a fazer acordos.
Na ocasião, ao afirmar que estudaria a implementação do mecanismo, Trump acusou o Brasil de taxar injustamente o etanol que entra no país.
Até hoje, o principal impacto da gestão Trump para o Brasil veio da decisão de começar a aplicar, em 12 de março, uma taxa de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio.
A expectativa do mercado global era muito grande em relação a esse anúncio, principalmente porque o presidente americano passou a chamar esse 2 de abril de “dia da libertação”. Segundo ele, a conjunto de taxas libertará os Estados Unidos de produtos estrangeiros.
De acordo com a Casa Branca, as novas tarifas entrarão em vigor imediatamente.
Conforme anunciado, a partir desta quinta-feira (3), os Estados Unidos também adotarão uma tarifa adicional de 25% sobre os automóveis e autopeças fabricados no exterior. Teoricamente, haverá uma exceção: os veículos montados no México ou Canadá serão submetidos a um imposto de 25% somente sobre a parte das peças que não procedem dos Estados Unidos.
Mobilização no Brasil
Se adiantando ao que poderia ser anunciado por Donald Trump, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou na véspera, terça-feira (1), o projeto de lei que permite ao governo brasileiro retaliar medidas comerciais que prejudiquem os produtos do país no mercado internacional.
Entre outras ações, o texto aprovado autoriza o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligado ao governo, a “adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços”, prevendo ainda medidas de negociação entre as partes antes de qualquer decisão.
A aprovação na CAE do Senado foi unânime e de caráter terminativo. O projeto seguiu direto para análise da Câmara dos Deputados e entrou na pauta para votação na sessão desta querta-feira.